terça-feira, junho 13, 2017

CURTA 276


Entre todos meus anelos
o mais ardente,
momentaneamente,
seria a tesoura cortante
de maus pensamentos permanentes
que me assombram veladamente.

quinta-feira, maio 25, 2017

NOTAS DE LEITURA EM REVISTA DE BORDO 24


01. "Notas de leitura em revistas de bordo" está de volta depois de alguns anos. Não são releituras, são novas leituras. Sempre tem algo divertido e curioso para relatar. O que as pessoas leem no ar? Quem quiser ler as anteriores navegue nesse blog.
02. Que a vida é feita de escolhas, todos sabem. Mas todos podemos escolher as aventuras em motos, carros e lugares bonitos e caros, em boa companhia? Quero a receita, por favor!
03. Ser bem sucedido é ter riqueza financeira ou riqueza intelectual? Não é reflexão, é cópia mesmo de uma publicidade em revista de bordo. Qual sua resposta?
04. As vacas urbanas viajantes estão de volta. Agora em São Paulo. Vacas na cidade são arte. Na roça é mamífero leiteiro e futuro bife.
05. Hoje tem estreia de filme com Nelson Xavier (Comeback), que faleceu antes desta volta. Artistas também morrem, como meu amigo Chico (Francisco Magalhães), baita artista plástico de Beozonte, falecido precocemente.
06. Pode haver conforto no caos urbano mesmo sabendo que a natureza é mais forte que a arquitetura, diz Kengo Kuma.
07. Na terra do sertanejo tem Bananada. Ainda bem, mano Zé.
08. Laertem-se moçada. Agora tem trans no vôlei feminino do Brasil e do Mundo. Homofóbicos de plantão, roam as unhas com essa. A vida também se transfigura, moçada.
09. Sempre que me deparo com fotos sobre esse lugar amazonense, reafirmo: ainda viajo pelo Rio Negro.
10. Muito bom saber que já estive neste lugar onde foi tirada uma bela foto da revista. E as minhas fotos ficaram tão boas quanto essa. No caso, Perito Moreno, em El Calafate, na Patagônia Argentina.

11. Inhotim é ali, um beicim de pertim. Onde caminho devagarim, cheirano capim e ispiano os bichim. E ainda tem uns quadrim bunitim. E voo quinem passarim. Trem bão assim só tomano um cachacim nos copim lagoim. (Nota do tradutor - beicim é medida de mineiro para distâncias curtas, ou seja, poucas léguas adiante).

quarta-feira, maio 03, 2017

“A JUBA É MINHA, PENTEIO SE QUISER!”


Penteies não.
Deixa que o vento despenteia,
desorganiza e reorganiza a bons ventos.
Deixa que o balanço do seu caminhar permita
o rebolado natural de seus cachos.
Colora-os da cor que teus sonhos imaginarem.
Imagina que eles sejam as cobras da medusa,
que tenham vida própria
e sonhem em voar como pássaros noturnos.
Cobras nem tem asas, teus cabelos tem.
E voam quando querem se deslocar pelos ares da alegria,
pelos corredores da felicidade,
pelas nascentes do quilombo,
sob as mangueiras e os jatobás.
E se eles insistirem em se alinhar com as vontades alheias,
despenteia-los com as mãos,
até que te desobedeçam no desalinho.

terça-feira, março 14, 2017

NASCENTES 02



Águas das veredas urbanas
Afogam-nos em subterrâneos
Sejam Onça ou Arrudas:
Animal ou planta muda
De espantar gente mundana
E maus espíritos contemporâneos.

“Deixe o Onça beber água limpa”,
Plante Arruda na rua e na calçada.
Água suja ou água limpa
Saem bem na foto ou na fita,
Indistinguíveis pelo som da cascata,
Diferentes na clareza da vida.

Em caso de desorientação
Procure a estação
Seja inverno ou verão.
Para São Gabriel ou bifurcação
O amor é infalível se bem amarrado,
Aposte e espere o resultado.
Quizomba ou água benta
Yemanjá sempre nos alimenta.

Água de tubulação
Corre solta na estrada
Escorre pelo ralo da calçada
Alivia o poço da construção
Deixa o fluxo da circulação
Registra o som da observação.

Nesta lagoa eu não nado
Sapo não molha o pé,
Não molha o pé porque não quer?
Mas o vento que lá lamenta
Sob um sol que arrebenta
Gira a coroa da escultura
Levanta o escritor da sepultura.

Onde tem nascente
Se aproxima toda gente.
“Cinema é cachoeira”
Mas eu não filmo cachoeira
Filmo metáforas e vento quente.
Meus elefantes carrego nas costas
Na sala só minhas marmotas.

Mas a chuva, temos que falar da chuva
Ela precisa cair neste sertão
Pois conecta sagrado e profano
Mesmo que depois entre pelo cano.
Yemanjá, mãe de santo, preto velho,
Meus ancestrais caboclos e caiporas,
Deuses de todos os matizes
Jorrem a chuva neste chão agora
Deixem todos seus filhos felizes.

E a água, minha gente,
Faz sua trilha como serpente
Até o mar desde a nascente
Carrega o sujo da cidade
Lava a alma da maldade
Sobe morro por capilaridade.
Feche, moço, essa torneira,
Mate sua sede costumeira
Deixe a água seguir corredeira.



quinta-feira, fevereiro 16, 2017

CURA DE CORAÇÃO PARTIDO


Para um coração partido
Parece que tem pouco jeito
Recoloque-o dentro do peito
Esqueça o tempo sofrido.

Amarre todas as pontas
Com uma fita de plástico
Senão, serve um elástico,
Ou uma corda de contas.

Quando ele se acomodar
Abra logo um sorriso
Ponha a mente no siso
Dê um tempo a sonhar.

Logo verás outro coração
Caminhando sorridente
Falando tão docemente
Que reacenderá a paixão.

Recomponha-te, meu amigo,
Cura do coração partido
É outro coração bandido
Pronto para seguir contigo.


quarta-feira, fevereiro 15, 2017

NASCENTES 01


Águas das veredas urbanas
circulam e se perdem,
reencontram-se em rio ou mar:
ou evaporam-se, poluem-se,
escondem-se em subterrâneos
seja Onça ou Arrudas,
animal ou planta
de espantar gente
de qualquer espírito.

domingo, fevereiro 05, 2017

ANÚNCIO


Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
quarenta anos de uso,
tem manchas na pintura
que só pintura nova resolve.
Não a pinto,
gosto de suas manchas.

Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
eu a trouxe da França.
Foi presente de um amigo
de uma amiga.
Não a usava mais.

Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
levou-me a Versalles
às matas de Rambouillet
às margens da Pampulha
e outros lugares.

Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
não é dessas modernas,
leves de fibra de carbono:
sempre chego por último
em corridas.

Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,

NÃO ESTÁ À VENDA.