sábado, março 24, 2018

RELEITURAS ROSEANAS 29

O vazio do sertão: com quê se preenche?
Em lagoa cheia de junco
Não dá para molhar o pé.
Naquelas noites claras de estrelas
Quando a cabeça quase esbarra nelas
De tanto sonho apaziguado
Nem quero que o céu clareie.
Essa escuridão me entorpece
Porque dentro de mim é luz
Com rastros de sombras, claro,
Desenhados nas paredes do pensamento.

Fruta boa é colhida no chão
Aos pés dos passos despassados.
Arteio nos portantos, subo no pé
Para deixar digitais na fruta
Lá da galha mais alta: apropriar-me.
Quem sabe bem-te-vi a respeite
E qualquer passante a saboreie?
Nos saberes e os cheiros
Corações preenchem o sertão.

quarta-feira, janeiro 24, 2018

CURTA 278

Ella é um momento,
um instante na prateleira de achados e perdidos
onde posso me encontrar às vezes.
Um instante fugaz na geladeira
do qual me alimento todos os dias.
Um relâmpago na chuva da tarde
de onde retiro toda minha energia
para reaquecer-me de luz
mesmo que um brilho repentino
na noite escura de uma vida etérea
.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

RELEITURAS ROSEANAS 28

Viver e me aventurar
São obrigações imediatas
Malgrado belicosos perigos.
Não sou caso perdido
Achado estou.
Tenho, como todos,
Incertezas de minhas afirmações.
A saudade ataca, às vezes,
E nem perco o siso nem o sorriso
Nem truqueio com as perdições.
Permaneço em silêncio quase calado
Quando o mal universal
Cochila em destinado lugar.

Fora isso, falo de amor.
Amor, tem que ter assunto!
De tanto amor, quero vê-la
Em organizado prazer.
De tanto amor, quero tê-la
Em prazeroso viver.
Quem esperança, vivencia
Quem planta flores, florencia
Quem sorri para o mundo, reverencia.
Entre vivências, flores e reverências
Aventuro-me, obrigatoriamente.

terça-feira, novembro 28, 2017

RELEITURAS ROSEANAS 27

Amar não é verbo:
amar é presença de luz
que alumia os arrabaldes,
espantando trevas mal afirmadas.
A vida nunca é onde:
sempre é quando. Agora.
Para a saudade duvidosa
a ternura intacta.
Para ideias fixas,
muitas ideias desparafusadas.
O pão nosso é que faz o cada dia:
o sol, e até mesmo o céu,
são abertos ao público.
Basta reviver a magia,
a cada hora, de romper a alegria.
Para qual homem, tal tarefa.
Sou pessoa de muitas estimas
e não tenho a imprudência da certeza.

Sou apenas alguém sob o arvoredo.

sexta-feira, novembro 24, 2017

CURTA 277

Eu tenho vários passados
nenhum deles me assombra
nenhum deles é minha sombra.
Minha luz vem com o amanhecer
carrego-me dela como célula solar
para brilhar ao anoitecer.

quarta-feira, novembro 22, 2017

RELEITURAS ROSEANAS 26


Coragem renasce na prática
Quando se cansa do medo
Quando o futuro parece escuro
E estranho para memórias.
Pedras do caminho rolam por justiça
Rios se entregam à paisagem
Cortando veredas entre montanhas.
Águas se deitam sobre terra
Feito mulheres vestidas de noiva:
Assim se revelam em fotografias.
Meu sacolejado sorriso
Se dissimula facilmente
Em bem-aventurado bocejo
Nos amanheceres mal dormidos.

Gostaria de escrever palavras soltas
Mas, poetas, maioria das vezes,
São trapaceiros dos vernáculos.
Encontram palavras amarradas
Nas narrativas alheias
E as subvertem, irresponsavelmente,
Construindo outros dizeres.

Tudo tem preço bem caro
Quando frases se voltam
Contra o contador falseante.
Seu mundo, do lado de cá,
Se corrompe em insolências.
E o outro lado do portal do tempo
Se esclarece em reminiscências.

E o autor da obra, onde está?

sábado, novembro 11, 2017

OBJETOS 54

Objetos para sobrevivência mundana:
telefone para comunicação online
mesmo quando a luz se apaga;
bloco de notas para relatório 
quando a ilusão se acaba;
tambores frenéticos à noite
tocam para uma lua vaga.