domingo, setembro 17, 2006

Pedalando bicicletas líquidas


A Terra é muito grande lá fora, cara!
Eu queria estar no país dos cafezais
Vejo plantações de trigo
Fico em meu quarto.
Não adianta procurar aqui fora
O que dentro está.

Homem é animal perdido no tempo
E no espaço de suas indiosincrasias
Não sabe seu lugar no mundo
Tem medo da morte
Reza para que ela demore.

Meus sonhos parecem durar horas
Mas tudo se passa em segundos
Significado da vida é vida
Porque tanta procura de significados
Escondidos sob as pedras
Na luz que emana do cérebro
No esquecimento da realidade
Nas frestas dos tijolos?

Nas frestas
Onde o olhar não penetra
Onde a poeira corrompe a arte
E sombras mostram limites.

Liberdade é para quem a vive
Pensa e pratica.
Não pode ser uma palavra no papel,
Talvez um quadro na parede
Ou sementes de girassol para pássaros.

Quero ver o mar
Transbordando em luz do amanhecer
(Um banho me fará bem)
Quem sabe rolar na areia
Sentir em casa
Em qualquer lugar da Terra.
Sinto-me ainda melhor
Pedalando nas águas
Bicicletas líquidas.

Boas músicas não são precisas
Deixam lugar para o inexplicável
E terminam em grandes silêncios
Como pretende esse poema.


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