sábado, dezembro 21, 2013

RELEITURAS ROSEANAS 15


"A gente se esquece - 
e as coisas lembram-se da gente".
A gente se duvida sempre
e a dúvida se azoa da gente.
A gente se amiúda no caráter
e o caráter se agiganta
no interior da estreiteza
no arrebento das valentias
enrugando sobrancelhas.
A gente se arrepia nas dores,
as dores de todas as marias
e de todos os josés:
as dores impermanecem
em almas não querentes.
A gente se esfacela em pedregulhos,
calcáreos quebradiços ou quartizitos,
nas enduranças das trajetórias,
nas sílicas batalhas diárias
entubando de pedras as vesículas.
Mas a gente se alegra
por um nadinha de nada: 
olhar de soslaio da amada, 
sorriso de clarices e patrícias,
água fresca na talha,
eletrocardiograma preciso na tela, 
poesia boa na panela.
Coisas borbulhantes de dentro
nunca se esquecem do jeito
que o amor se arrebenta no peito.

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