quarta-feira, junho 11, 2014

TARDIA, ARDIA


Ela sempre tarde
e me arde no frescor das madrugadas
e me consome no sono, no sonho, nas insônias,
nas pernas entrelaçadas nos lençóis, nos anzóis
em que me pesco e me perco nas águas doces,
sabores doces como amêndoas,
olhos amendoados, cabelos enegrecidos.

Negros eram meus cabelos da juventude,
jovem quando era, cabelos alongados,
amarrados em rabos enrabichados nas morenas
tardias para leitores incrédulos, crentes, cientes
de sua serena sereia que serpenteia nas águas
de março, abril, maio, e junho
que julho já chega e o ano quase se acaba.



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